Sonhando com os olhos abertos

Sonhando com os olhos  abertos

sábado, 3 de março de 2018


Que amor é esse tão intenso
que escorre pelas paredes da casa,
senta-se à mesa, impregna a cama?
Vive nos retratos, nos detalhes,
nos entalhes de madeira,
nas folhas desbotadas
recheadas de sonetos, de versos,
palavras soltas, poemas,
na mão sobre a escrivaninha...

Que paixão tão imensa é essa
que transborda e inunda o mar?
E ele devolve e invade tudo.
Ontem e hoje se fundem
no mudo  contemplar.
E ali ficam os dois adormecidos
sob um canto florido a descansar,
para sempre incrustados no rochedo,
eternos e inquietos como o próprio mar...

               Poema que escrevi em 2014, ao visitar a Casa onde viveram Pablo Neruda e Matilda Urrutia.
Marina Chaves

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